
Globo Repórter 25/05/2007
Se o PET já existisse na época do Descobrimento do Brasil, somente agora as garrafas de Cabral estariam desaparecendo. Esse tipo de plástico, que leva até 500 anos para se decompor, é uma das grandes fontes de poluição ainda sem solução.
"O acúmulo dessas garrafas cria uma camada de impermeabilização nos aterros sanitários. Além de demorar para se degradar, o plástico acaba atrasando a degradação dos outros materiais e reduzindo a vida útil dos aterros", diz a estudante de engenharia ambiental Fernanda Stafford.
Vencer 500 anos em 45 dias parecia impossível quando a pesquisa começou no Laboratório de Engenharia Química da PUC de Porto Alegre. Mas, no meio do caminho, o resultado já é um sucesso. O que se faz é uma reciclagem química. O primeiro passo é picotar as garrafas PET. Depois, os caquinhos são misturados com tipos diferentes de poliéster.
"Os poliésteres já são conhecidos, inclusive são muito usados na medicina como implantes. Então, uma pessoa que tem uma fratura, coloca um pino de poliéster, que é o mesmo que a gente usa para fazer a mistura com o PET. Esse polímero é absorvido pelo corpo", conta a coordenadora do projeto, Sandra Einloft.
No reator, calor de 240ºC para deixar a mistura homogênea. "Depois disso, adicionamos o catalisador, esperamos 20 minutos e colocamos nas fôrmas de silicone", explica a estudante de química industrial Deise Cristina da Silva.
O objetivo é descobrir um novo tipo de plástico, 100% biodegradável. Da PUC de Porto Alegre, o PET transformado viaja até a Universidade da Região de Joinville (Univille), em Santa Catarina, onde passa pelo teste mais importante: a terra, que vai mostrar aos pesquisadores quanto tempo esse novo plástico demora para se decompor na natureza.
Durante o teste, o novo plástico é desenterrado regularmente para saber a quantas anda o processo de decomposição. Numa das experiências, demorou sete meses para se encontrar sinais positivos. Mas uma das amostras deu um belo susto nas meninas: em apenas 45 dias.
"A gente percebe que o estágio de degradação está bem avançado. A gente acredita que, em torno de mais uns 15, 20 dias, provavelmente não haveria mais nada na natureza", revela a estudante de engenharia ambiental Delne da Silva.
O PET puro é um plástico de estrutura química fechada muito resistente. Por isso, os microorganismos não conseguem destruí-lo.
"Quando a gente mistura o PET com os co-polímeros biodegradáveis, fica tudo meio bagunçado. Então, os microrganismos acabam comendo tudo", diz Fernanda.
Parece um sonho. E é mesmo! Pelo menos, para essa turma, que trabalha na pesquisa até nos finais de semana, por puro prazer.
"Se você conseguir diminuir o tempo de degradação de uma garrafa PET de 500 para cinco anos, já é um resultado muito interessante", avalia a engenheira química Ana Paula Pezzin.
Para Fernanda, saber que daqui a alguns anos as coisas podem ser diferentes por causa desse trabalho é motivador. "Existem várias atitudes que a gente pode tomar em casa mesmo para minimizar esses impactos, como fechar a torneira, gastar menos água, separar o lixo. Mas tem também grandes atitudes que a gente pode tomar, e de repente, seguir um grande caminho. É gratificante, muito bom mesmo", ressalta.
Se o PET já existisse na época do Descobrimento do Brasil, somente agora as garrafas de Cabral estariam desaparecendo. Esse tipo de plástico, que leva até 500 anos para se decompor, é uma das grandes fontes de poluição ainda sem solução.
"O acúmulo dessas garrafas cria uma camada de impermeabilização nos aterros sanitários. Além de demorar para se degradar, o plástico acaba atrasando a degradação dos outros materiais e reduzindo a vida útil dos aterros", diz a estudante de engenharia ambiental Fernanda Stafford.
Vencer 500 anos em 45 dias parecia impossível quando a pesquisa começou no Laboratório de Engenharia Química da PUC de Porto Alegre. Mas, no meio do caminho, o resultado já é um sucesso. O que se faz é uma reciclagem química. O primeiro passo é picotar as garrafas PET. Depois, os caquinhos são misturados com tipos diferentes de poliéster.
"Os poliésteres já são conhecidos, inclusive são muito usados na medicina como implantes. Então, uma pessoa que tem uma fratura, coloca um pino de poliéster, que é o mesmo que a gente usa para fazer a mistura com o PET. Esse polímero é absorvido pelo corpo", conta a coordenadora do projeto, Sandra Einloft.
No reator, calor de 240ºC para deixar a mistura homogênea. "Depois disso, adicionamos o catalisador, esperamos 20 minutos e colocamos nas fôrmas de silicone", explica a estudante de química industrial Deise Cristina da Silva.
O objetivo é descobrir um novo tipo de plástico, 100% biodegradável. Da PUC de Porto Alegre, o PET transformado viaja até a Universidade da Região de Joinville (Univille), em Santa Catarina, onde passa pelo teste mais importante: a terra, que vai mostrar aos pesquisadores quanto tempo esse novo plástico demora para se decompor na natureza.
Durante o teste, o novo plástico é desenterrado regularmente para saber a quantas anda o processo de decomposição. Numa das experiências, demorou sete meses para se encontrar sinais positivos. Mas uma das amostras deu um belo susto nas meninas: em apenas 45 dias.
"A gente percebe que o estágio de degradação está bem avançado. A gente acredita que, em torno de mais uns 15, 20 dias, provavelmente não haveria mais nada na natureza", revela a estudante de engenharia ambiental Delne da Silva.
O PET puro é um plástico de estrutura química fechada muito resistente. Por isso, os microorganismos não conseguem destruí-lo.
"Quando a gente mistura o PET com os co-polímeros biodegradáveis, fica tudo meio bagunçado. Então, os microrganismos acabam comendo tudo", diz Fernanda.
Parece um sonho. E é mesmo! Pelo menos, para essa turma, que trabalha na pesquisa até nos finais de semana, por puro prazer.
"Se você conseguir diminuir o tempo de degradação de uma garrafa PET de 500 para cinco anos, já é um resultado muito interessante", avalia a engenheira química Ana Paula Pezzin.
Para Fernanda, saber que daqui a alguns anos as coisas podem ser diferentes por causa desse trabalho é motivador. "Existem várias atitudes que a gente pode tomar em casa mesmo para minimizar esses impactos, como fechar a torneira, gastar menos água, separar o lixo. Mas tem também grandes atitudes que a gente pode tomar, e de repente, seguir um grande caminho. É gratificante, muito bom mesmo", ressalta.
MAIS INFORMAÇÕES:- Sandra Mara Einloft – professora da PUC de Porto Alegre (RS)E-mail: einloft@pucrs.br - Ana Paula Pezzin – pesquisadora da Universidade da Região de Joinville (Univille) – Joinville (SC)E-mail: paulapezzin@univille.edu.br

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