terça-feira, 3 de novembro de 2009

Lixo doméstico: como reduzi-lo e diminuir seu impacto no ambiente



De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil descarta a cada dia 230 000 toneladas de detritos – e mais da metade disso corresponde a lixo doméstico

Revista Veja – 23/09/2009

"Do total produzido nas casas, apenas 2% é destinado à coleta seletiva", afirma a bióloga Elen Aquino, pesquisadora do Centro de Capacitação e Pesquisa em Meio Ambiente (Cepema), da Universidade de São Paulo. O restante vai parar em lixões a céu aberto ou, na melhor das hipóteses, em aterros sanitários cuja capacidade máxima já está próxima do limite. Para piorar o quadro, muitas vezes o cidadão toma o cuidado de separar metais, vidros, plásticos e papéis acreditando que esses materiais serão reciclados, mas as empresas de limpeza contratadas pela prefeitura acabam por misturá-los num mesmo caminhão.
O desempenho das administrações municipais costuma ser um lixo em matéria de lixo, mas não por falta de boas leis. No estado de São Paulo, por exemplo, a legislação obriga todos os condomínios com mais de cinquenta unidades residenciais a ter coleta seletiva de lixo.
Uma nova lei publicada na semana passada determina que shoppings, prédios comerciais e indústrias da cidade de São Paulo separem o lixo reciclável. Só poderão ser levados a aterros o lixo orgânico e materiais que não são reaproveitáveis, como isopor, espelhos e papel higiênico. Em que pesem as consuetudinárias dificuldades brasileiras de fazer valer a legislação, e não só quando o assunto é sujeira, é preciso perseverar na divisão do lixo doméstico e, além disso, tentar diminuir a quantidade diária de dejetos. No mínimo, você manterá a consciência mais limpa.

A seguir, as quatro soluções domésticas que mais ajudam a reduzir o lixo dentro e, consequentemente, fora de casa.

- SEPARAÇÃO E RECICLAGEM DE PAPÉIS, VIDROS, PLÁSTICOS E METAIS


Como fazer: evidentemente, usando recipientes diferentes para cada material. Papéis, em geral, são recicláveis, com exceção daqueles sujos.

Não podem ser reciclados: fraldas descartáveis, absorventes, papel higiênico, guardanapos de papel, papel-toalha e embalagens metalizadas de salgadinhos.

O ideal é que você encontre tempo para verificar se o que separou em casa continuará separado no caminhão de lixo e depois encaminhado, de fato, a uma usina de reciclagem. No mínimo, para não fazer papel de trouxa – que, como todos sabemos, não é reciclável.

Vale a pena para a cidade? E como!
Os materiais recicláveis representam 70% do volume de lixo produzido numa cidade. Por isso, separá-los dos outros detritos resulta em muito mais espaço nos aterros sanitários.

Em quanto reduz a poluição ambiental?
A reciclagem retira do lixo uma série de materiais que levariam um tempo assombroso para se decompor – como plástico (450 anos), latas de alumínio (200 anos) ou vidro (1 milhão de anos). Além disso, ao ser reaproveitado, o lixo reciclável economiza recursos naturais.
"Uma tonelada de papel reciclado poupa 22 árvores, 75% de energia elétrica e polui o ar 74% menos do que a produção da mesma quantidade de papel com matéria-prima virgem", diz a bióloga Elen Aquino.

- COMPOSTAGEM DOMÉSTICA

Como fazer: pode ser montada em um tambor de plástico. O tamanho da composteira de cascas de frutas, folhas e talos depende muito do espaço disponível para abrigá-la. Para uma família formada por um casal e dois filhos, um tambor de 50 litros é suficiente para comportar o lixo produzido em um mês
1. Para começar, é preciso fazer furos na lateral do recipiente, a fim de escoar o líquido que se forma com a decomposição dos restos. Ele pode ser recolhido em vasilhas. Não se preocupe: esse líquido não é tóxico, ao contrário do chorume dos aterros, que resulta da mistura de outros tipos de detrito
2. Com o recipiente da composteira pronto, forre o fundo com pedrinhas e coloque a primeira camada de lixo orgânico. Em seguida, cubra-a com terra de jardim, folhas secas ou serragem. Vá intercalando as camadas de detritos com esse tipo de cobertura
3. A cada dois ou três dias, revolva camadas e coberturas, para garantir a oxigenação do material e acelerar, assim, a decomposição
4. Uma vez que o recipiente esteja cheio, é preciso esperar em torno de dois meses para que o processo de compostagem se complete.
Depois disso, o conteúdo pode ser usado como adubo.

Vale a pena?
Sim, desde que se tenha clara a destinação do composto. Quem não tem no apartamento ou em casa muitos vasos ou áreas ajardinadas que consumam todo esse adubo deve organizar-se para doá-lo a amigos ou aplicá-lo em áreas verdes da vizinhança.

Em quanto (ou como) reduz a poluição ambiental?
Se aliada a um triturador (para os restos de comida), a composteira reduz o lixo doméstico em cerca de 60%.


- TRITURADOR DE LIXO NA PIA

Onde comprar e como instalar: o equipamento é encontrado em lojas de material de construção e custa cerca de 800 reais. Pode ser instalado facilmente por um encanador.
Para receber o aparelho, a cuba deve ter um ralo um pouco maior do que o convencional. Além disso, é necessário um ponto de eletricidade embaixo da pia para ligá-lo. O triturador substitui o sifão normal e é ligado à tubulação doméstica.

O que faz: tritura restos de frutas, legumes, ossos e cascas de ovos, entre outros resíduos orgânicos, com um consumo médio de energia mensal equivalente ao de uma lâmpada de 100 watts ligada durante uma hora. Os detritos são descartados pelo cano em vez de ir para a lata do lixo.

Por que vale a pena: porque facilita o tratamento de parte do lixo orgânico produzido numa casa – desde que, é lógico, ele vá parar numa estação de tratamento de esgoto.

Em quanto reduz a poluição ambiental? Com o triturador, uma família pode reduzir em 40% o volume de lixo orgânico. Isso significa menos detritos nos aterros sanitários – e, consequentemente, menor quantidade de matéria orgânica decomposta na forma de chorume (aquele líquido nojento que polui córregos e rios) e gases do efeito estufa.

- COLETA DE ÓLEO DE COZINHA USADO

Como fazer: guarde o óleo usado em garrafas ou recipientes fechados com tampa e envie-os para reciclagem.
Várias ONGs e empresas se dedicam a essa coleta. Em São Paulo, uma das pioneiras é a ONG Trevo. Por 30 reais, o condomínio pode adquirir um recipiente para recolher o óleo de cozinha usado pelos moradores. A Trevo se encarrega de retirar o material. Quem mora em casa tem de levar o resíduo aos postos de coleta com endereços no site. Na Grande São Paulo e no litoral paulista, outra ONG, a Triângulo, dispõe de 170 postos para a coleta de óleo. No Rio, a SOS Óleo Vegetal oferece o mesmo serviço. A empresa Ambiental serve cidades do Paraná e Santa Catarina.

Funciona? Sim, desde que as empresas de coleta sejam confiáveis e de fato deem uma destinação adequada ao óleo. A Trevo, por exemplo, faz o tratamento e encaminha o material para fábricas de biocombustível. A Triângulo, por sua vez, usa o material na fabricação de sabão.

Em quanto reduz a poluição ambiental? De uma forma impressionante. De acordo com cálculos da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo, cada litro de óleo de cozinha usado pode contaminar até 20000 litros de água potável.

*Com reportagem de Iracy Paulina e Jacqueline Manfrin Fontes consultadas: as biólogas Assucena Tupiassu, professora da Escola Municipal de Jardinagem do Parque do Ibirapuera, em São Paulo, e Elen Aquino, pesquisadora do Centro de Capacitação e Pesquisa em Meio Ambiente (Cepema), da Universidade de São Paulo; a ambientalista Ana Maria Domingues Luz, presidente do Instituto Gea; André Vilhena, diretor executivo do Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre); e Helio Padula, gerente do departamento de serviços da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp)

Fonte:
http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/lixo/lixo-domestico-coleta-seletiva-separacao-dicas-501359.shtml

China está fazendo mais pelo clima que EUA

Sexta-feira, 30 de outubro de 2009 - 10h38

SÃO PAULO – Relatório do World Resources Institute afirma que a China está tomando as atitudes necessárias para atingir suas metas de redução de consumo de energia.


Segundo o WRI, com sede em Washington, nos últimos cinco anos, os líderes chineses abraçaram a causa de reduzir a demanda energética do país.

Por exemplo, uma das metas do país é gerar 15% de sua energia de fontes renováveis até 2020. Estima-se que, até lá, ele terá 150 gigawatts de energia eólica instalada – mais de cinco vezes o que os Estados Unidos têm hoje. Além disso, uma em cada dez casas chinesas já possui aquecedor solar, e os níveis crescem 20% ao ano.

Até o final do ano que vem, o governo também pretende reflorestar 20% de áreas desmatadas.

Essas políticas são extremamente importantes no combate aos gases causadores do efeito-estufa, uma vez que três quartos das emissões da China são resultado da queima de combustíveis fósseis para a produção de energia.

Outro objetivo do país é reduzir em 20% até o ano que vem sua intensidade de energia (quantidade usada por dólar de produto doméstico produzido). Um programa que funciona há três anos já fez com que, em 2008, a China a queda fosse de 4.59%, um aumento em relação aos 4,04% de 2007 e 1,79% de 2006.

As usinas de carvão por lá também são mais eficientes do que na terra do Tio Sam. Enquanto a porcentagem de calor transformada em energia nos Estados Unidos está em 33% desde a década de 1960, na China ela já passou dos 35%. Outra medida adotada pelo governo, e que contribui para esses números, é o fechamento de instalações ineficientes: em 2007, foram mil usinas desativadas.

Além de falar abertamente do problema, a China já admite que pode sofrer com os efeitos do aquecimento – tanto que o presidente Hu Jintao listou as mudanças climáticas como uma das áreas em que o país deve atuar como parte de um esforço mundial para o desenvolvimento da paz.

Apesar dos bons resultados no relatório, a WRI adverte que a poluição atmosférica, embora tenha melhorado, ainda está bem pior que os níveis americanos. Atualmente, EUA e China são os dois maiores emissores de gases causadores do efeito estufa do mundo. Em 2007, eles liberaram respectivamente 1,56 e 1,66 bilhões de tonelada métricas de carbono.

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Paula Rothman, de INFO Online
Fonte:
http://info.abril.com.br/noticias/tecnologias-verdes/china-esta-fazendo-mais-pelo-clima-que-eua-30102009-6.shl