quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Biodigestores

Matéria exibida no Globo Repórter de 25/05//2007

São 5 mil novas bocas para alimentar a cada mês. E elas nascem vorazes. Com 60 dias de vida, cada porquinho já comeu mais do que o próprio peso em ração. De acordo com o órgão ambiental gaúcho, um único porco polui mais do que cinco seres humanos. Em Santa Rosa, na fronteira com a Argentina, são mais de 200 mil suínos.
"Se for jogado direto para a natureza, não há condições de ser assimilado", diz o professor de engenharia Eliseu Kotlinski.
Eliminar a sujeira virou questão de honra para o empresário Pedro Carpenedo, mas não foi nada fácil encontrar a solução ideal. Ele construiu sistemas que não funcionaram, contratou especialistas, gastou mais de R$ 200 mil. Por que ele não desistiu?
"Eu sou teimoso", brinca. "As coisas fáceis, todo mundo faz. Precisamos fazer as coisas difíceis".
Foram anos experimentando até chegar à fórmula ideal: os biodigestores. Os dejetos são depositados em bolhas feitas de lona e lá dentro viram alimento para as bactérias.
Os biodigestores têm forma de balão porque estão cheios de gás. É o metano, que, se liberado na atmosfera, prejudica a camada de ozônio. Na propriedade de seu Pedro, ele é conduzido através de uma tubulação e cuidadosamente medido. Só nos últimos cinco meses, mais de 111 mil metros cúbicos de metano viraram energia elétrica. Ele é o combustível para dois geradores, que reduziram em mais de 70% os gastos com eletricidade.
"Na conta da granja, representou uma economia de R$ 8 a R$ 9 mil por mês", revela seu Pedro.
Usado nos motores, o metano polui menos. "Polui 20 vezes menos. Vai poluir? Sim. Nós não temos mais que procurar uma forma que zere a poluição. O ideal é reduzi-la. Essa forma é benéfica", diz o engenheiro agrônomo Luiz Fernando Rocha.
E ainda gera créditos de carbono. O gás que passou pelo reloginho vai virar dinheiro. Seu Pedro assinou o Protocolo de Kioto e vendeu para empresas do Japão tudo o que deixou de lançar na natureza.
"Me sinto cumprindo meu dever. Uma das minhas finalidades de sempre era criar condições melhores para meus empregados ao menos e trazer benefícios para comunidade visando 'money'", conta seu Pedro.
MAIS INFORMAÇÕES:
- Pedro Carpenedo – empresárioE-mail:
territorio@territorio-sr.com.br - Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) – Regional Santa Rosa (RS)Luis Fernando Rocha – engenheiro agrônomoE-mail: rochaambiental@gmail.com.br
- Eliseu Kotlinski – professor da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (Unijuí) – Santa Rosa (RS)E-mail: eliseuk@unijui.edu.br

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